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domingo, 30 de janeiro de 2011

Quem pode ferrar o Brasil? As esquerdas, como sempre!

Por Reinaldo Azevedo

Publiquei ontem uma série de posts sobre a opinião dos parlamentares a respeito dos mais variados temas. Os dados integram parte de um levantamento feito pelo G1 junto a 414 dos 513 deputados que vão compor a Câmara na nova legislatura. O resultado é interessante. Temos uma Casa que, nas questões relativas aos costumes e afins, seria considerada “conservadora”, mas que é muito “progressista” quanto se trata de lidar com dinheiro público. Ou, numa síntese muito reinaldiana, já que compro brigas com gosto: teremos uma Câmara muito sensata e “de direita” em matéria de costumes, e porralouca, irresponsável e de esquerda quando se trata dos gastos. De quem é a culpa? Ora, do PT e, obviamente, do eleitorado. O povo também tem culpas, né? Não é menor de idade!

Os deputados querem a legalização do aborto? Embora o repúdio seja um pouco menor do que é na sociedade, a resposta objetiva é “não”. Deixaram de responder a pesquisa do G1 99 deputados eleitos, mas o resultado percentual seria mais ou menos o mesmo se todos houvessem atendido à solicitação: são contra a descriminação 64% dos que responderam. A maioria também se opõe à descriminação da maconha (72% dos pesquisados) e aceita debater a redução da maioridade penal: 233 — 56% dos 414 que responderam. Teses ligadas à lei e à ordem e apegadas à defesa da vida desde a concepção costumam mobilizar as pessoas da direita.

Mas esses mesmos deputados “conservadores”, que eu tenderia a chamar “liberais”, logo assumem a sua fachada “progressista”, de “esquerda”. Basta que se trate dos chamados “temas sociais”. Aí quase todos aprenderam com o PT que o negócio é ficar “ao lado do povo”, defendendo teses simples e erradas para resolver os problemas difíceis do Brasil. Querem um exemplo? A maioria é contra o fator previdenciário, a exemplo do senador Paulo Paim (RS), do PT. Sem o fator, o sistema vai para o vinagre. E daí? Um grupo de 116 corajosos (28% dos que responderam e 23% do total) se dizem contra o seu fim. Só isso. A esmagadora maioria é a favor. E que se dane a justeza ou não da tese e o que poderia acontecer com as contas públicas. Se o PT seduz tantos corações prometendo bondades, por que seriam os não-petistas a cortá-las, ainda que o país quebre?

A maioria dos deputados também quer a aprovação da PEC 300, aquela que equipara o piso salarial dos policiais e bombeiros ao de Brasília. É bom e justo? Nem me digam! A questão é saber quem paga a conta. Ora, segundo a tal proposta de emenda constitucional, será o Tesouro. A tese, de que Michel Temer (PMDB-SP) é um dos padrinhos, virou o xodó do Parlamento. Quem pode ser contra policiais e bombeiros felizes? Ninguém! Se os petistas são sempre tão bem-sucedidos distribuindo benefícios, não serão os “conservadores” a cortá-los, certo? Os deputados aprenderam com o PT que o Estado é o grande pai — ou a grande mãe. Por eles, diz a pesquisa, os royalties do petróleo seriam fraternalmente divididos entre todos os estados. Mas quem compensa as perdas dos estados produtores? Ora, o Tesouro!

Assim, o que a pesquisa revela é que uma Câmara que poderia ser considerada saudavelmente conservadora em muitos aspectos é patologicamente “progressista”, como quer a esquerda, em matéria de gastos públicos. Se o PT faz fama e fortuna distribuindo benesses, por que os demais partidos, todos tornados “companheiros”, adotariam outro rumo? Por que caberia às demais legendas severidade com as contas públicas quando elas todas aprenderam com o PT que o negócio é distribuir bondades? A presidente Dilma Rousseff que se vire com as bombas fiscais!

Não! Não teremos uma Câmara Federal composta de doidivanas, não! Em muitos outros casos, além daqueles já citados, os deputados são um exemplo de sensatez! A maioria é contra, por exemplo, à tal Lei da Palmada, que simplesmente cassaria o pátrio poder ao transformar filhos em vítimas e pais em algozes sob o pretexto de proteger as crianças. Os deputados da nova legislatura sabem quando o estado está tentando invadir o direito das famílias. Mas a maioria quer, porque aprendeu que isso é coisa de gente boa e progressista — além de ser fácil — o financiamento público de campanha.

A síntese, querido leitor, é a seguinte: tudo o que a futura Câmara pode fazer de mal ao Brasil — e o mesmo deve se dar com o Senado — está ancorado em teses históricas das esquerdas; tudo o que ela pode fazer de bom conta com a rejeição desses mesmos esquerdistas. De sorte que, vendo a pesquisa, sem medo de errar, pode-se afirmar as esquerdas continuam empenhadas em ferrar os brasileiros em sua incansável e contínua luta para protegê-los, entenderam?



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