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terça-feira, 15 de março de 2011

Um Brasil com menos direita é, necessariamente, um Brasil com menos direitos

Por Reinaldo Azevedo

O DEM elege amanhã a sua nova direção. O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, já está praticamente fora da legenda. Vai criar o tal PDB, Partido Democrático Brasileiro. Tudo saindo conforme o planejado, a sigla vai se fundir depois ao PSB, que tem no governador de Pernambuco, Eduardo Campos, sua maior expressão. Tomada a coisa a valor presente, o grupo de Kassab migraria, então, da centro-direita para a centro-esquerda; da oposição ao governo Dilma para a base de apoio. O DEM, que estava talhado para ser, entre as legendas de expressão, aquela mais consistentemente à direita no espectro ideológico — e olhem que, no Brasil, leitor, isso quer dizer estar no centro, olhando para a esquerda… — vai ficar ainda menor. Mais: tudo caminhando conforme o planejado, o DEM que restar estará majoritariamente atrelado ao projeto presidencial do senador Aécio Neves (PSDB-MG). Esvai-se qualquer ambição de ter uma identidade.


O que eu acho? O conjunto da obra empobrece a política e torna o Brasil, de fato, uma jabuticaba entre as nações democráticas. Não há um só país relevante — na verdade, nem irrelevante — que não tenha um partido conservador forte, em condições de disputar o poder com a esquerda ou centro-esquerda. Até protoditaduras como a Venezuela e a Nicarágua contam com campos ideológicos mais marcados. O processo político brasileiro optou pela geléia-geral: qualquer um pode ser qualquer coisa a depender das circunstâncias. Caso se cobre coerência do político, ele dirá que sua função é lutar pelo bem do Brasil… Aliás, o país que temos também é fruto do trabalho de todos aqueles que lutam pelo seu bem…


O previsível acontece

Há três anos, quando o então Partido da Frente Liberal (PFL) decidiu mudar de nome, passando a se chamar “Democratas”, renovando a sua direção, escrevi aqui este post, cheio de ceticismo.


Leitores indagam o que achei da mudança do nome do PFL para “Democratas” - a sigla será DEM - e de a presidência do partido ficar com o deputado Rodrigo Maia (RJ). A minha resposta: “depende”. Mudança de nome, por si, não significa grande coisa. A prática é que vai dizer. A passagem do comando de Jorge Bornhausen para um jovem parlamentar, de 38 anos, busca sinalizar uma renovação de lideranças. Corresponde à verdade?

Um adjetivo - “Democratas” - substantivado, em princípio, parece uma coisa um pouco estranha. Quando nos referirmos aos parlamentares, escreveremos sem problema “os democratas etc e tal”. Mas e quando estivermos nos referindo à legenda? “O” Democratas ou “os” Democratas? Besteira? Talvez nem tanto. É sempre preferível um nome que não cause estranheza aos ouvidos. De fato, não sei se foi uma boa escolha. Ela me parece contrariar o trato habitual da língua. Nesse sentido, Partido Democrata seria melhor.

O PFL era o único partido de médio porte que trazia a palavra “liberal” no nome. Acho que não restou nenhum. O PL, aquele partido-sanfona que incha e desincha a depender da generosidade do governo, também escolheu outra sigla: PR, Partido Republicano. Ainda que nem um nem outro tivessem um ideário claramente “liberal”, é evidente que se passou a considerar que a palavra já não seduz ninguém - se é que chegou a seduzir algum dia.

Segundo Bornhausen, “os democratas têm o dever de sustentar as plataformas da defesa do meio ambiente e dos direitos humanos e de defender avanços em suas cinco bandeiras que são o emprego, a educação, a saúde, a segurança e habitação”. Ok. Convenham: a tendência é que todos os partidos elejam essas prioridades, que são, digamos assim, entre sociais e moderninhas.

Não sei até onde essa mudança traduz uma renúncia dos partidos brasileiros a discutir o tamanho do Estado e seu papel na economia. É bem possível que sim. E, se assim for, isso corresponde a uma longa condenação.


Voltei

Eis aí. É evidente que o episódio José Roberto Arruda fez muito mais estragos no DEM do que a renúncia à palavra “liberal”. Tomo a mudança como um emblema da dificuldade que existe no Brasil de defender idéias e princípios que são corriqueiros em qualquer democracia. NÃO TEMOS UM PARTIDO RELEVANTE QUE DECIDA CONFRONTAR O GIGANTISMO DO ESTADO PORQUE NÃO TEMOS FORÇAS POLÍTICAS RELEVANTES QUE VEJAM NISSO UM PROBLEMA, ENTENDEM? E esse é um dos fatores do nosso atraso, porque se cria a cultura da dependência estatal e da pouca valorização do indivíduo e de seus direitos. Boa parte dos brasileiros nem mesmo se vê como pagadora de impostos — impostos pagos também pelos pobres; aliás, proporcionalmente, eles pagam até mais do que os ricos.


Ao estado e ao governo se permite tudo. No Estadão de hoje, uma reportagem de Vera Rosa tem o seguinte título: “Dilma quer blindar Vale de apetite político”. Esforço meritório o da presidente, não é mesmo? Vejam que figura política honrada” Lê-se lá:

“A presidente Dilma Rousseff está convencida de que é preciso trocar o comando da mineradora Vale, mas quer blindar a companhia do apetite político para não causar turbulência no mercado nem impacto nas ações da companhia na Bolsa de Valores. Agora, há um novo executivo cotado para substituir Roger Agnelli na Vale: trata-se do presidente da Suzano Papel e Celulose, Antônio Maciel Neto. O nome de Maciel, ex-presidente da Ford do Brasil, circula no Palácio do Planalto e também nas negociações com os acionistas, mas o governo sabe que a substituição não será uma operação fácil. Agnelli não quer sair e a Vale está em boa situação: é líder mundial na produção de minério de ferro e, no ano passado, atingiu o segundo maior lucro da história entre as empresas de capital aberto (R$ 30,1 bilhões), só perdendo para a Petrobrás.”


O que há de absolutamente escandaloso no que vai acima? A Vale é uma empresa privada! Desde quando cabe ao governo decidir quem deve comandá-la? Ocorre que os fundos de pensão das estatais — Previ (dos funcionários do Banco do Brasil), Funcef (dos da Caixa Econômica Federal) e Petros (dos da Petrobrás) — detêm uma boa fatia da empresa, e o governo de turno manda nos fundos porque são controlados pelo PT!


Uma interferência como essa — e não estou aqui a defender Agnelli, que nem conheço! — deveria causar o repúdio das instituições e entes que defendem princípios republicanos, a começar da imprensa. Mas até esta, com as famosas exceções de praxe, condescendem com um governo e com um estado que exorbitam de suas prerrogativas com impressionante ligeireza. Chegamos ao ponto em que grande empresas podem entregar a cabeça dos seus executivos para satisfazer caprichos da burocracia de turno.


Quem ainda quer falar de “liberalismo” e contenção do apetite do estado nesse ambiente? Bem pouca gente! Notem que nem estou exatamente censurando o DEM por isso ou por aquilo. Constato um momento de miséria intelectual — e ideológica — da política brasileira. Essas coisas não acontecem sem custo para o país. Esse estado que pode tudo pode qualquer coisa, legal ou ilegal, lícita ou não. Se acerta, muito bem. Se erra, não tem nada além do silêncio cúmplice.


E que se note: até os tais intelectuais de esquerda, que babam de prazer quando tratam do “fim da direita brasileira”, deveriam considerar que o “congestionamento no centro”, onde todos os políticos buscam se situar, não diminui apenas a eficiência do governo — que governa distribuindo capitanias aos aliados; diminui até seu ímpeto reformista.


UM PAÍS QUE NÃO TEM UM PARTIDO LIBERAL, APEGADO À DEFESA DOS DIREITOS INDIVIDUAIS, EMPENHADO EM CONTER O APETITE DO ESTADO, É SINTOMA DE UMA SOCIEDADE QUE DESISTIU DE DEFENDER SEUS DIREITOS OU QUE, PIOR, IGNORA OS DIREITOS QUE TEM. Assim como a cultura nasce da domesticação da natureza, a democracia nasce da domesticação do estado. Há quem prefira o estado domesticando permanentemente os indivíduos…


O DEM murcha. O PDB descobre as virtudes do socialismo à moda PSB… Um Brasil sem uma direita democrática forte viável é, necessariamente, um Brasil com direitos de menos.




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domingo, 13 de março de 2011

Valeu pela dica, mano

Valeu pela dica, mano: "
Não demonstre medo diante de seus inimigos.
Seja bravo e justo e Deus o amará.
Diga sempre a verdade mesmo que isso o leve à morte.
Proteja os mais fracos e seja correto.
Assim, você estará em paz com Deus e com você mesmo.


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Redução da pobreza pode ocorrer só em estatística

Por João Carlos Magalhães, na Folha:

Prioridade da presidente Dilma, a eliminação da pobreza extrema pode ocorrer só estatisticamente se os beneficiários dos programas sociais não tiverem acesso a trabalho, educação, saúde e previdência social.

A avaliação é de Evilásio Salvador, professor do programa de pós-graduação em política social da Universidade de Brasília. Salvador defende a tese de que o sistema tributário faz com que os pobres paguem mais pelos programas sociais direcionados a eles próprios, o que limita seus efeitos na diminuição da desigualdade. Ao assumir, Dilma anunciou a criação de plano de erradicação da pobreza, mas a meta e a abrangência ainda não foram definidas. Leia a seguir trechos da entrevista de Salvador.



Folha - O que podemos esperar do projeto do governo de eliminar a pobreza extrema em quatro anos? É possível?

Evilásio Salvador
- Se considerarmos como pobreza extrema a linha de corte do Bolsa Família [renda per capita até R$ 70], sim. Ou ainda, focalizada para quem ganha menos de um quarto do salário mínimo.

A questão é que a política social não deve se limitar a transferir renda focalizada e com condicionalidades, sem a perspectiva de emancipação das pessoas da condição de pobreza absoluta, para a inserção no mercado e em uma vida autônoma.


Corre-se o risco de vermos uma eliminação estatística, mas não real, da pobreza?

Com certeza. Tudo depende da ótica que se analisa a questão. Se consideramos que aumentar a renda das pessoas de um quarto do salário mínimo para meio salário é suficiente para acabarmos com a pobreza extrema, teríamos resultado estático limitado a uma visão míope de economia e política social.


Que alternativa há para se definir miséria que não a renda?

Os indicadores tradicionalmente utilizados tendem a desconsiderar a questão distributiva, a distância que separa os ricos dos pobres.

Os métodos estatísticos e as referências teóricas não são neutros. Revelam critérios, julgamento de valor e ideologia para legitimar determinado padrão de intervenção do Estado. Essa intervenção ocorre não para a superação da pobreza, mas com medida de produção de assistencialismo.

Os indicadores de pobreza precisariam mensurar a evolução da redistribuição de renda, que passa pela desigualdade na estrutura do mercado de trabalho e pela elevada concentração de renda por duas óticas.

A primeira, por meio da análise da distribuição funcional da renda, a elevada apropriação da renda pelos proprietários capitalistas.

A segunda, o regressivo sistema tributário, que onera proporcionalmente os mais pobres e os trabalhadores. Por fim, pelo acesso a políticas universais, como educação e saúde.


Apesar de não ser o maior programa de transferência de renda no país, atribui-se ao Bolsa Família os maiores méritos. Até que ponto isso é verdade?

O Bolsa Família tem seu mérito. Mas ele não é a principal transferência de renda na área social. Os benefícios da seguridade social, como a Previdência Rural e o Benefício de Prestação Continuada, são responsáveis de tirar milhões da linha da pobreza.

Mais de 75% dos benefícios da seguridade social equivalem ao salário mínimo, valor, portanto, bem superior ao Bolsa Família.


Segundo sua tese, os mais pobres bancam dois terços do que o governo gasta com programas que beneficiam eles próprios. Como isso se dá?

O principal sistema de proteção social no Brasil é o da seguridade social, que engloba programas, benefícios e serviços no âmbito das políticas de previdência, assistência e saúde.

Os tributos que financiam a seguridade social incidem, em grande parte, sobre o faturamento e as receitas das empresas, que acabam repassando para o consumo.

Com isso, 62% das fontes de financiamento da seguridade são tributos indiretos, que oneram os mais pobres, que são os beneficiários dos programas sociais. Aqui




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segunda-feira, 7 de março de 2011

Fabuloso: tire fotos da Terra ao vivo no instante que você escolher

Por Ricardo Setti

Imagem da Terra vista do espaço às 19:14:14 do dia 2 de março de 2011


Amigos do blog, vejam que beleza: graças a satélites e softwares potentes, é possível observar fotos em tempo real da Terra, durante 24 horas por dia, neste link:


http://www.fourmilab.ch/cgi-bin/uncgi/Earth?imgsize=1024&opt=-l&lat=9.7916


Clicando sobre a região de seu interesse, a imagem gira e permite a visualização de todo o globo. Usuários do link recomendam clicar em épocas diferentes — no inverno e no verão, por exemplo — para apreciar a diferença entre o solstício (maior incidência de luz do Sol devido à inclinação do eixo terrestre) dos hemisférios Sul e Norte.


Quando você clicar poderá constatar que, abaixo da imagem do globo terrestre, há links que permitem dar zoom na imagem ou escolher diferentes latitudes, longitudes e altitudes.


Os dados de satélites são fornecidos pelo site The Living Earth e estão disponíveis no site do programador John Walker.



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Os melhores jingles da política brasileira

Por Augusto Nunes


06/03/2011
 às 19:33 \ História em Imagens

Os melhores jingles da política brasileira

As marchinhas de carnaval são tão antigas quanto os jingles que animam campanhas eleitorais. E há um evidente parentesco entre as duas manifestações musicais: alguns jingles fizeram bastante sucesso nos salões e muitas marchinhas acabaram transformadas pelos candidatos em trilha sonora da campanha. Confira, em imagens e áudios dispostos em ordem cronológica, a seleção dos mais populares jingles políticos da história da República.
Getúlio Vargas, candidato à Presidência em 1950:








Juscelino Kubitschek, candidato à Presidência em 1955:

Jânio Quadros, candidato à Presidência em 1960:




Propaganda eleitoral durante a ditadura militar:
Jânio Quadros, candidato à prefeitura de São Paulo em 1985:


Fernando Henrique Cardoso, candidato à prefeitura de São Paulo em em 1985:


Dante de Oliveira, candidato à prefeitura de Cuiabá em 1985:


Lula, candidato à Presidência em 1989:
Leonel Brizola, candidato à Presidência em 1989:
Ulysses Guimarães, candidato à Presidência em 1989:
Mário Covas, candidato à Presidência em 1989:
José Maria Eymael, candidato à Presidência em 1989:


Fernando Henrique, candidato à Presidência em 1994:
Paulo Maluf, candidato ao governo de São Paulo em 1994:


Henrique Meirelles, candidato a deputado federal por Goiás em 2002:


Lula, candidato à presidência em 2002:


José Serra, candidato à Presidência em 2002:


Jingle da oposição nas eleições de 2006


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sábado, 5 de março de 2011

Vídeos: 7 dos melhores sambas-enredo de todos os tempos

Por Ricardo Setti

Milhões de brasileiros cantaloraram refrões como “diga/ espelho meu/ se há na avenida/ alguém mais feliz/ que eu”.


Assim como esse, muitos outros sambas-enredo de escolas de samba se tornaram clássicos do Carnaval e ficaram guardados, e grudados, na memória dos foliões – inclusive daqueles que nunca pisaram em um Sambódromo.


Confira nos vídeos abaixo sete desses grandes sucessos:


1 — É hoje! — Escola de Samba União da Ilha (Rio, 1982)


Trecho: “Diga/ espelho meu/ se há na avenida/ alguém mais feliz/ que eu”



2 — O que é bom dura para sempre — Gaviões da Fiel (SP, 1995)


Trecho: “Me dê a mão, me abraça / viaja comigo pro céu”



3 — Peguei um Ita no norte -- Salgueiro (Rio, 1993)


Trecho: “Explode coração /na maior felicidade”



4 — Liberdade! Liberdade! Abre as asas sobre nós! -- Imperatriz Leopoldinense (Rio, 1989)


Trecho: “Seja sempre a nossa voz, mas eu digo que vem / vem, vem reviver comigo/ amor”



5 — Atrás da verde e rosa só não vai quem já morreu -- Mangueira (Rio, 1994)


Trecho: “Me leva que eu vou / sonho meu”



6 — O amanhã -- União de Ilha (RJ, 1978)


Trecho: “Como será o amanhã / responda quem puder”



7 — Bum bum paticumbum prugurundum — Império Serrano (Rio, 1982)


Trecho: “Bumbum paticumbum prugurundum/ o nosso samba minha gente é isso aí/ é isso aí”



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