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sábado, 23 de outubro de 2010

Carlos Manhanelli, especialista em marketing político

via Augusto Nunes | VEJA.com de Augusto Nunes em 22/10/10

Aos 54 anos, Carlos Manhanelli participou de 238 campanhas políticas. Presidente da Associação Brasileira dos Consultores Políticos, é autor de 11 livros sobre marketing e estratégias eleitorais. Na primeira parte desta entrevista dividida em três blocos, Manhanelli ensina que o debate eleitoral "não é arena, é passarela" ─ é preferível que os candidatos desfilem para os telespectadores, "em vez de se digladiarem na TV". Na segunda, discorre sobre a história do marketing político e relembra campanhas célebres, como a de Jânio Quadros, que, em 1960, inaugurou o uso da televisão na campanha política. Na terceira, analisa o trabalho dos marquetólogos ─ Manhanelli rejeita o nome marqueteiro ─ de José Serra e Dilma Rousseff. Colecionador de áudios e vídeos de campanhas eleitorais há 36 anos, o consultor político mostra qual é a estratégia adotada pelos dois candidatos no duelo do segundo turno.

Parte 1


Parte 2


Parte 3


Assista e entenda porque NÃO a DILMA - POST ECUMÊNICO

via ANTI FORO DE SÃO PAULO de Stenio Guilherme Vernasque da Silva em 21/10/10





segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Serra Presidente - Experiência comprovada

O MANIFESTO APREENDIDO PELA PF DEPOIS DA PRESSÃO DO PT

via Reinaldo Azevedo | VEJA.com de Reinaldo Azevedo em 18/10/10

Republico íntegra do manifesto em defesa da vida que foi apreendido ontem pela PF, depois de uma blitz do PT.
*
A Presidência e a Comissão Representativa dos Bispos do Regional Sul 1 da CNBB, em sua Reunião ordinária, tendo já dado orientações e critérios claros para "VOTAR BEM", acolhem e recomendam a ampla difusão do "APELO A TODOS OS BRASILEIROS E BRASILEIRAS" elaborado pela Comissão em Defesa da Vida do Regional Sul 1 que pode ser encontrado no seguinte endereço eletrônico www.cnbbsul1.org.br
São Paulo, 26 de Agosto de 2010.
Dom Nelson Westrupp, scj
Presidente do CONSER-SUL 1
Dom Benedito Beni dos Santos
Vice-presidente do CONSER-SUL 1
Dom Airton José dos Santos
Secretário Geral do CONSER SUL 1
APELO A TODOS OS BRASILEIROS E BRASILEIRAS
Nós, participantes do 2º Encontro das Comissões Diocesanas em Defesa da Vida (CDDVs), organizado pela Comissão em Defesa da Vida do Regional Sul 1 da CNBB e realizado em S. André no dia 03 de julho de 2010,
- considerando que, em abril de 2005, no IIº Relatório do Brasil sobre o Tratado de Direitos Civis e Políticos, apresentado ao Comitê de Direitos Humanos da ONU (nº 45) o atual governo comprometeu-se a legalizar o aborto,
- considerando que, em agosto de 2005, o atual governo entregou ao Comitê da ONU para a Eliminação de todas as Formas de Descriminalização contra a Mulher (CEDAW) documento no qual reconhece o aborto como Direito Humano da Mulher,
- considerando que, em setembro de 2005, através da Secretaria Especial de Política das Mulheres, o atual governo apresentou ao Congresso um substitutivo do PL 1135/91, como resultado do trabalho da Comissão Tripartite, no qual é proposta a descriminalização do aborto até o nono mês de gravidez e por qualquer motivo, pois com a eliminação de todos os artigos do Código Penal, que o criminalizam, o aborto, em todos os casos, deixaria de ser crime,
- considerando que, em setembro de 2006, no plano de governo do 2º mandato do atual Presidente, ele reafirma, embora com linguagem velada, o compromisso de legalizar o aborto,
- considerando que, em setembro de 2007, no seu IIIº Congreso, o PT assumiu a descriminalização do aborto e o atendimento de todos os casos no serviço público como programa de partido, sendo o primeiro partido no Brasil a assumir este programa,
- considerando que, em setembro de 2009, o PT puniu os dois deputados Luiz Bassuma e Henrique Afonso por serem contrários à legalização do aborto,
- considerando como, com todas estas decisões a favor do aborto, o PT e o atual governo tornaram-se ativos colaboradores do Imperialismo Demográfico que está sendo imposto em nível mundial por Fundações Internacionais, as quais, sob o falacioso pretexto da defesa dos direitos reprodutivos e sexuais da mulher, e usando o falso rótulo de "aborto - problema de saúde pública", estão implantando o controle demográfico mundial como moderna estratégia do capitalismo internacional,
- considerando que, em fevereiro de 2010, o IVº Congresso Nacional do PT manifestou apoio incondicional ao 3º Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH3), decreto nª 7.037/09 de 21 de dezembro de 2009, assinado pelo atual Presidente e pela ministra da Casa Civil, no qual se reafirmou a descriminalização do aborto, dando assim continuidade e levando às últimas consequências esta política antinatalista de controle populacional, desumana, antisocial e contrária ao verdadeiro progresso do nosso País,
- considerando que este mesmo Congresso aclamou a própria ministra da Casa Civil como candidata oficial do Partido dos Trabalhadores para a Presidência da República,
- considerando enfim que, em junho de 2010, para impedir a investigação das origens do financiamento por parte de organizações internacionais para a legalização e a promoção do aborto no Brasil, o PT e as lideranças partidárias da base aliada boicotaram a criação da CPI do aborto que investigaria o assunto,
RECOMENDAMOS encarecidamente a todos os cidadãos e cidadãs brasileiros e brasileiras, em consonância com o art. 5º da Constituição Federal, que defende a inviolabilidade da vida humana e, conforme o Pacto de S. José da Costa Rica, desde a concepção, independentemente de sua convicções ideológicas ou religiosas, que, nas próximas eleições, deem seu voto somente a candidatos ou candidatas e partidos contrários à descriminalizacão do aborto.
Convidamos, outrossim, a todos para lerem o documento "Votar Bem" aprovado pela 73ª Assembléia dos Bispos do Regional Sul 1 da CNBB, reunidos em Aparecida no dia 29 de junho de 2010 e verificarem as provas do que acima foi exposto no texto "A Contextualização da Defesa da Vida no Brasil" (http://www.cnbbsul1.org.br/arquivos/defesavidabrasil.pdf), elaborado pelas Comissões em Defesa da Vida das Dioceses de Guarulhos e Taubaté, ligadas à Comissão em Defesa da Vida do Regional Sul 1 da CNBB, ambos disponíveis no site desse mesmo Regional.
COMISSÃO EM DEFESA DA VIDA DO REGIONAL SUL 1 DA CNBB

Agora ninguém pode errar


via Radar on-line - Lauro Jardim - VEJA.com de Lauro Jardim em 17/10/10


José Serra e Dilma Rousseff estão separados por magra diferença, a julgar pelas pesquisas — um instrumento sempre contestado, mas ainda o mais poderoso parâmetro de aferição de tendências no meio de uma campanha.
Por isso, a quinze dias da eleição, as duas campanhas são obrigadas a pisar em ovos. Qualquer carta mal colocada na mesa pode ser fatal.
Numa hora dessas não adianta apenas ser conservador, imaginando, assim, minorar a possibilidade de erro. Na campanha, como em qualquer batalha, é preciso saber também a hora de ousar. Um equilíbrio nada fácil de ser alcançar.
É o momento de apostar em estratégias novas e consolidar outras já em curso, tudo ao mesmo tempo agora.
Dilma tenta aninhar-se no colo generoso de Lula, que volta a protagonizar os comerciais e programas de rádio e TV no PT. Vai dar certo? Ninguém sabe. O que se sabe é que a decisão foi uma imposição de Lula ao marqueteiro João Santana, um profissional experiente, mas que foi atropelado pelo desejo do dono da bola que se auto-escalou para voltar ao campo — como capitão e técnico do time.
A campanha de Dilma terá também que continuar lidando com a questão religiosa. Muito já foi feito, reuniões com evangélicos e católicos, promessas, rezas, missas. Mas está claro que não é uma questão liquidada e será um tema sensível até o dia 31.
Para o bem ou para o mal, a essa altura está claro que pastores e padres tomaram gosto pelo protagonismo que conseguiram nessas eleições e continuarão a usar missas e o YouTube para pregar – e em geral eles têm rogado aos céus contra Dilma.
José Serra, da mesma maneira, precisa girar vários pratos ao mesmo tempo, sem deixar cair um só. Não é fácil:
*Terá que continuar a roubar os votos evangélicos de Dilma e atrair os de Marina Silva.
*Será obrigado a não deixar se alargar a já grande diferença de Dilma sobre ele no Nordeste. Para isso, o jeito é trabalhar para seduzir lideranças locais que hoje estão com Dilma, mas descontentes. Geddel Vieira Lima, é um exemplo. Se não der para fazê-los entrar em sua campanha, um corpo mole para Dilma já estaria de bom tamanho para o tucano.
*Será necessário também a Serra jogo de cintura para a partir de agora receber ataques de Lula na campanha e conseguir reagir na medida certa – algo nem sempre fácil no calor da batalha. Ao estilo Pinheiro Machado, Serra não poderá ser tão agressivo com Lula que pareça desrespeitoso com um político bem avaliado por 81% dos brasileiros; e nem tão banana que aparente ser alguém sem personalidade e subserviente.
O primeiro desafio na "operação erro zero" será o debate de hoje à noite na RedeTV!. Não pela sua audiência — provavelmente, não passará dos três pontos no Ibope. Mas pela possibilidade de um deslize que virará arma do adversário nesta reta final, sobretudo se usado nos programas de TV.
Uma frase mal colocada, um ataque que soe destemperado demais, um escorregão em pontos sensíveis, tudo isso pode ajudar a definir a batalha. Tudo isso pode criar uma uma daquelas ondas que surgem pequenas, mas que crescem a ponto de derrubar uma candidatura.
A chance de Dilma ir ao debate de hoje com quatro pedras na mão, como fez na Band, é grande. A razão é a mesma: dada a baixa audiência que o programa terá, Dilma ficaria mais livre para ousar. Ou seja, poderá usar o debate para atacar Serra e, assim, inflamar sua militância e usar os seus "melhores momentos" editados nos programas de TV. O risco da estratégia, novamente, é ultrapassar o tom adequado.

Se dependesse do PT...

sábado, 16 de outubro de 2010

Danilo Gentili - Politicamente Incorreto - Stand Up em Brasilia 3


via Novo Blog do Ferra Mula de Blog do Ferra Mula em 15/10/10


O voto nas cidades


via VEJA nas Eleições - VEJA.com de Daniel Jelin em 15/10/10


Em Guaribas, Piauí, onde foi lançado o programa Fome Zero, Dilma Rousseff (PT) teve mais de 88% dos votos válidos, contra apenas 8,4% de José Serra (PSDB). Em Marcelândia, Mato Grosso, o tucano ficou com mais de 75% dos votos, contra 22% da petista. A verde Marina Silva não chegou nem a 1% em Trairão e Gurupá, no Pará, mas venceu com mais de 40% em Brasília (DF), Sabará (MG) e Volta Redonda (RJ). Para ilustrar estas variações, geográficas, históricas ou socioeconômicas, VEJA preparou um mapa interativo com o desempenho dos presidenciáveis em todos os municípios desde 1994, filtrados por uma série de indicadores, e conversou com os pesquisadores Rafael Cortez, da consultoria Tendências, e Cesar Zucco, da Universidade Princeton, em Nova Jersey, Estados Unidos. Cortez é cientista político com doutorado pela USP sobre as estratégias dos partidos nas eleições majoritárias. Zucco é professor de política e uma de suas linhas de pesquisa é o estudo dos programas de transferência de renda, com auxílio de métodos estatísticos.
Nos mapas abaixo, em azul estão representados os municípios com vitória do candidato tucano, e em vermelho, onde a vantagem é petista. Quanto mais forte o tom, maior a votação.
1º turno de 1994
1º turno de 1994
1º turno de 1998
1º turno de 1998
1º turno de 2002
1º turno de 2002
1º turno de 2006
1º turno de 2006
1º turno de 2010
1º turno de 2010
2010 x 2006
Tanto Zucco como Cortez apontam fortes semelhanças entre as eleições de 2006 e 2010. Regra geral, Dilma foi bem onde Lula foi bem; Serra foi bem onde Alckmin foi bem; e até as terceiras vias Marina, em 2010, e Heloísa Helena (PSOL), em 2006, tiveram desempenhos correlacionáveis. As novidades de 2010: uma candidatura governista relativamente mais fraca nas grandes cidades e a expressiva votação da terceira colocada, Marina.
Bolsa Família fez mais por Lula em 2006 do que por Dilma em 2010
O efeito eleitoral do Bolsa Família em 2010 foi menor que em 2006 e é comparável ao dos programas tucanos de transferência de renda em 2002. A constatação é de Zucco. Ele analisou o resultado do primeiro turno em todas as cidades e encontrou uma forte – e previsível – correlação entre os votos para Dilma e o programa de transferência de renda: onde a cobertura do Bolsa Família é maior, maior a vantagem da petista. Para medir seu peso, o pesquisador agrupou os municípios conforme diversos perfis socioeconômicos e observou as variações dentro de cada grupo. Resultado: na média, cada ponto porcentual do Bolsa Família refletiu em 0,13% em favor de Dilma nas urnas.
O pesquisador repetiu a operação para as eleições de 2006 e 2002 e chegou a um favorecimento de 0,20% por ponto porcentual do Bolsa Família para Lula em 2006, quanto foi reeleito; e de 0,11% para Serra em 2002, quando o tucano era o candidato governista – e perdeu. Para esta última correlação, Zucco agrupou dois programas de transferência de renda do governo FHC: o Bolsa Alimentação e o Bolsa Escola, que seriam reunidos, rebatizados e ampliados no governo Lula na forma do Bolsa Família.
O perfil de município em que Dilma saiu-se relativamente pior é o das cidades grandes. Neste grupo, ao contrário de 2006, o efeito Bolsa Família pareceu contido no primeiro turno, o que, Zucco supõe, pode ser creditado à boa votação obtida por Marina – hipótese que poderá ser testada no segundo turno.
Maior a renda, maior a oposição
Cortez estende a forte correlação entre o alcance do Bolsa Família e a vantagem governista para outros recortes de renda e riqueza das cidades: quanto mais pobre o município, quanto maior a cobertura do Bolsa Família, tanto melhor a performance de Dilma. Do contrário, Serra e Marina obtêm melhores resultados. As correlações podem ser observadas nos mapas abaixo, que exibem o desempenho dos presidenciáveis nas cidades de acordo com diversos indicadores: o salário médio, o PIB municipal e o próprio Bolsa Família.
Municípios com maior cobertura de Bolsa Família
Municípios com maior cobertura de Bolsa Família
Municípios com menor PIB per capita
Municípios com menor PIB per capita
Municípios com menor salário médio
Municípios com menor salário médio
Violência no campo
Além da renda, Cortez chama atenção para um segundo divisor de votos: a violência no campo. Ele observa um bom desempenho da candidatura tucana nos municípios onde as taxas de mortalidade são expressivas e associadas a conflitos agrários, como no Centro-Oeste e Norte do país. Cortez credita o mau desempenho de Dilma nessas áreas à proposta que circulou entre setores do PT, e que apareceu no terceiro Plano Nacional de Direitos Humanos, de instalar uma nova instância para arbitrar invasões de terra.
Eleição 2010 nos municípios com mais altas taxas de homicídios
Eleição 2010 nos municípios com mais altas taxas de homicídios
Eleição 2002 nos municípios com mais altas taxas de homicídios
Eleição 2002 nos municípios com mais altas taxas de homicídios
PT x PSDB, governo x oposição
Serra saiu-se melhor em estados do Sul, Centro-Oeste e Norte, além de São Paulo. Dilma venceu em pelo menos um estado de cada região e em todos os do Nordeste. O desenho dos mapas pode sugerir certa polarização de caráter geográfico: um Norte e Nordeste petista e um cinturão Sul/Centro-Oeste tucano. Mas para Zucco ainda não há como dizer tratar-se de uma polarização de petistas versus tucanos ou de governistas versus oposicionistas. Para que as diferentes hipóteses sejam testadas, é necessário analisar o resultado de futuras eleições com uma eventual troca de papel: o PT de volta à oposição, e o PSDB, ao governo.
Desempenho de Dilma. Quanto mais forte o tom, maior a votação
Desempenho de Dilma. Quanto mais forte o tom, maior a votação
Desempenho de Serra. Quanto mais forte o tom, maior a votação
Desempenho de Serra. Quanto mais forte o tom, maior a votação
O eleitorado verde
O melhor desempenho de Marina Silva se deu nas regiões metropolitanas. Cortez cita uma combinação de fatores para explicar a performance. Em primeiro lugar, são cidades de renda e escolaridade mais altas, atributos do eleitor alvo da candidata do PV. Além disso, são regiões sensíveis à agenda verde, uma vez que já convivem com reflexos de certo esgotamento ambiental. Finalmente, Cortez aponta nas franjas das metrópoles a forte presença evangélica, eleitorado sensível à questão que desgastou a candidata petista na reta final da campanha do primeiro turno: o aborto.
Desempenho de Marina. Quanto mais forte o tom, maior a votação
Desempenho de Marina. Quanto mais forte o tom, maior a votação

Preparem-se para os 15 dias mais sujos da história política brasileira!


via Reinaldo Azevedo | VEJA.com de Reinaldo Azevedo em 16/10/10

Esta já é a campanha eleitoral mais suja desde a redemocratização do país. Luiz Inácio Lula da Silva, com a sua falta de decoro e de apreço pela liturgia do cargo, é o seu comandante. As duas semanas que vêm pela frente vão fazer o país ferver. Na raiz da baixaria está uma concepção de poder que é essencialmente antidemocrática: o PT não admite a possibilidade de ser derrotado. Se vislumbra essa risco no horizonte, não tem nenhum receio de, com uma das mãos, fazer o jogo sujo e, com a outra, denunciar o jogo sujo dos adversários, reivindicando, assim, licença para enlamear ainda mais o processo. Vamos pensar um pouco.
Aqueles que decidem exercer o que chamo "poder da vítima" pretendem sempre uma de duas coisas: ou imaginam mesmo haurir algum benefício na esperança de que os outros sejam mais tolos do que eles próprios ou estão em busca de uma desculpa moral para recorrer à patifaria e, ainda por cima, culpar as vítimas: "Só agi assim fiz porque eles começaram; por mim, só faria coisas boas!" Nas relações pessoais, isso é muito comum; nas amorosas, é comuníssimo — em qualquer dos casos, afaste-se de gente assim: estamos falando de pessoas perigosas, sem limites.
No que concerne à política, o "poder da vítima" está na raiz psico-sociológica das duas tiranias do século passado. Socialismo e fascismo representam justamente a vingança do ressentido. Num caso, excita-se o ódio e o desejo de vingança "justa" (!) de uma "classe"; no outro, de uma nação. São construções ideológicas, que mobilizam, não obstante, ressentimentos individuais dos militantes. Ninguém se torna fanático de uma causa só porque foi convencido por um conjunto de valores ou porque se encantou com o corpo conceitual de uma doutrina. O fanatismo é só o casamento de uma falha psíquica ou de caráter — individual, privada — com o momento, que é coletivo. A paixão cega não é uma convicção, mas uma doença. Danton, goste-se ou não de suas idéias (eu não gosto muito, hehe…), era um convicto; Robespierre era um doente! Mas me desviei um tantinho. Volto ao leito.
Os que decidem exercer "o poder da vítima" delinqüem, mentem, trapaceiam, cometem crimes e tentam sempre nos convencer de que só o fazem premidos por circunstâncias — ou em nome da causa. Para eles, os limites da lei são imposições que impedem a justiça,  não instrumentos para discipliná-la. Peguemos, então, o exemplo de Luiz Inácio Lula da Silva. O partido que criou, com efeito, desafiou alguns limites da ditadura — já bastante enfraquecida, sejamos justos e precisos —, cresceu e se fortaleceu. Na ordem democrática, continuou a desafiá-los, por intermédio de seus "movimentos sociais",  e não abandonou a prática mesmo depois de ter chegado ao poder. Na ditadura, a afronta à ordem tinha a justificativa plausível da justiça; na democracia, o desrespeito às instituições tem como objetivo único o fortalecimento do próprio partido. Nesse caso, se o partido prevalece, quem fenece é a sociedade.
Poderia fazer aqui o elenco das dezenas de vezes em que o PT mandou a democracia às favas em nome do seu próprio fortalecimento. Mas acho que vocês conhecem o roteiro. Quero me ater, como anunciei lá no primeiro parágrafo, à disputa eleitoral deste ano. Já na largada, ficou claro que o partido tinha voltado àquele costume que adquiriu no tempo em que estava na oposição: a mobilização de um verdadeiro exército de arapongas para atingir o adversário. Naquele tempo, como "vítimas", os petistas tinham  uma boa desculpa: do outro lado, estariam os "reacionários", que precisavam ser combatidos. A imprensa, infelizmente, colaborou bastante na construção dessa perversão.
No poder, os métodos continuaram os mesmos. Quando o bunker montado pela pré-campanha de Dilma Rousseff foi denunciado — o sigilo fiscal do tucano Eduardo Jorge estava com eles —, os petistas fizeram o quê? Denunciaram, vítimas eternas que são, uma grande conspiração do que chamam "mídia"!!! Passado algum tempo, surgiram evidências de que os sigilos de outros tucanos e da filha e do genro de José Serra também tinham sido violados. Uma investigação rasa foi o bastante para chegar à autoria: bateu nos petistas. Agora, a investigação se arrasta, no que tem todo o jeito de ser mais um crime sem criminosos nem culpados.
Flagrados, denunciados, expostos, qual foi a reação dos petistas? "Tudo não passa de uma tentativa desesperada de Serra de ganhar a eleição; ele está fazendo exploração eleitoreira do episódio". O presidente da República, ninguém menos, foi à TV com essa mensagem, na fala em que Serra foi chamado de "candidato da turma do contra". O tucano passou a ser tratado pelos petistas — e até por setores da imprensa — como responsável pelo mal que lhe impingiam. Esse é o jogo clássico do "vitimismo triunfante". Descobre-se logo depois que uma verdadeira quadrilha atua na Casa Civil, o que custa a cabeça da ministra, braço-direito de Dilma Rousseff. O PT, inicialmente, denuncia o jogo sujo da oposição, em conluio com a mídia (!).
A religião
É claro que os escândalos, especialmente o de Erenice Guerra, abalaram a reputação do PT. Ainda que 80% dos eleitores realmente aprovassem o governo Lula, isso não significa endosso às lambanças. Dilma começou a cair nas pesquisas, e o PT decidiu descobrir os motivos. E então chegamos à pauta religiosa. A imprensa — os meus coleguinhas — sabe muito bem que os tucanos não estão na raiz da corrente "Dilma-aborto". A sociedade existe, e esse nunca foi um tema muito popular no país. Os tucanos, ao contrário, até demoraram para se dar conta do fenômeno. Mas o PT, o "partido das vítimas", precisava culpar alguém. Nesse particular, colheu mais efeitos negativos do que positivos.
Terrorismo
Como é mesmo? Quem se diz vítima, sem ser, só está buscando um motivo para delinqüir. E foi o que fez o PT. A exemplo de 2006, levou para a TV uma campanha sórdida, atribuindo aos tucanos a intenção de privatizar a Petrobras e o pré-sal — o que é mentira. E partiu para a desconstrução agressiva dos governos tucanos em São Paulo, especialmente em áreas em que o petismo não tem nada de bom a oferecer nos estados em que é governo: segurança e educação. A resposta no horário eleitoral de Serra é, a meu ver, até agora, muito tímida, fraca. O PSDB parece considerar ainda a máxima "quem bate sempre perde" — o que considero uma bobagem não-comprovada na prática. Mas deixo isso para outra hora.
Pesquisa Datafolha divulgada ontem aponta seis pontos de diferença entre Dilma e Serra  — sete nos votos válidos (o instituto diz que são oito, mas a conta não me convenceu). É pouco. É quase nada. O que a muitos parecia um delírio no dia 2 de outubro é uma possibilidade absolutamente plausível 14 dias depois: o risco de Dilma perder é real. E há mais 14 pela frente. É claro que aqueles "institutos", vocês sabem, já estão prontos para, daqui a uns dois ou três dias, apontar um novo alargamento da diferença. Já antecipo o título: "Diferença volta a crescer" — ou algo assim. A imprensa que não vende, mas se vende,  mergulha na lama — lama que está no horário eleitoral e que chega aos palanques.
O PT prepara um cenário em que a eventual vitória será experimentada como o triunfo das vítimas contra os seus algozes — como se "os pequenos", nessa disputa, não fossem os oposicionistas. E vai tentar se vingar depois. Em caso de derrota, essas mesmas "vítimas" acusarão, então, uma grande conspiração — sabe-se lá de quem — contra os "interesses populares" (aqueles a que se agregaram hoje patriotas como José Sarney, Fernando Collor e Renan Calheiros) e estarão prontas para fazer o que sempre fizeram: sabotar o governo sob o pretexto de exercer suas convicções.
Ganhando ou perdendo, eles não tem limites porque não têm princípios e consideram que mentira ou verdade são só exigências da necessidade.

Conheça os melhores momentos dos debates eleitorais na TV


via Augusto Nunes | VEJA.com de Augusto Nunes em 15/10/10

Domitila Becker
Jamais se saberá quantos eleitores resolveram em quem votariam baseados no confronto ocorrido em 26 de setembro de 1960 no estúdio da CBS em Chicago. Também é impossível saber qual seria o desfecho da campanha presidencial se não tivesse acontecido o duelo testemunhado por mais de 70 milhões de americanos. O que se pode afirmar com segurança é que naquela noite o debate eleitoral transmitido pela TV deixou de ser coisa de amadores ─ e que John Kennedy foi superior a Richard Nixon na histórica troca de golpes verbais, menos pelo conteúdo do que disse que pela forma impecável do candidato do Partido Democrata.
Recém-saído do hospital onde se submetera a uma cirurgia no joelho, Nixon estava dez quilos abaixo do peso normal e a aparência cansada era acentuada pela palidez do rosto. Como não aceitou ser maquiado, a tela em branco e preto destacou a barba por fazer e o terno cinza se confundiu com o cenário. Em contrapartida, Kennedy lembrava alguém que vive entre o chuveiro e uma sala com ar-condicionado. Expressão confiante, pele bronzeada, transpirava dinamismo. E parecia mais saudável do que nunca.

Passados 50 anos, a fórmula original continua essencialmente a mesma nos Estados Unidos: os dois principais candidatos se enfrentam num duelo que um moderador (eventualmente escoltado por dois ou três jornalistas) se limita a estimular. O tempo é controlado, mas suficiente para que ninguém interrompa a frase no meio.
No Brasil, o debate na TV continua engatinhando, asfixiado pela legislação eleitoral, que exige a participação de todos os concorrentes, e por camisas-de-força costuradas pela cautela exagerada dos marqueteiros. Para destacar-se na multidão, os candidatos precisam valer-se da verve, do raciocínio rápido ou da agressividade.
Foi assim desde o primeiro, realizado em 1982, que reuniu nove concorrentes ao governo de São Paulo. Vitorioso nas urnas, Montoro foi vencido por Jânio no melhor momento do debate. Ao constatar que uma citação sobre o episódio da renúncia fora extraída de um livro de Carlos Lacerda, seu mais feroz adversário, o ex-presidente aparteou Montoro para dispensá-lo de continuar a leitura. "O senhor acaba de querer citar as escrituras valendo-se de Asmodeu ou de Satanás", comparou. Todos riram. Até Franco Montoro.
Só em 1989 os telespectadores puderam assistir a um debate entre candidatos à Presidência da República. O primeiro confronto mostrou Mário Covas em ótima forma. Desafiado por Guilherme Afif Domingos, interessado em saber "com qual das duas caras" disputaria a eleição, o candidato do PSDB esbanjou agilidade: "Eu acho que eu tenho uma única cara. Mas certamente se eu tivesse várias, todas elas teriam vergonha". Previsivelmente, prevaleceu a experiência dos remanescentes do Brasil pré-1964.

Também no duelo de 1989, Leonel Brizola ressuscitou a agressividade dos velhos tempos quando Paulo Maluf se recusou a conceder um aparte. O adversário qualificou-o de "desequilibrado". Brizola revidou com um "filhote da ditadura". Os risos da plateia hostil açularam o gaúcho brigão, que reagiu com o que lhe parecia um insulto: "Malufistas! Vocês são malufistas".

Covas e Maluf enfrentaram-se em 1998 no segundo turno da disputa pelo governo paulista. Segundo colocado na primeira etapa, o governador em campanha pela reeleição resolveu substituir a discussão de programas administrativos pelo embate político e pela comparação do histórico de cada um. "Eu discuto programa, mas eu acho que o telespectador quer discutir caráter", disse no clímax do debate. "Você quer saber como nós nos comportamos historicamente, como nós somos como pessoa. Quer saber que tipo de compromisso a gente tem. Que tipo de caráter e de antecedência a gente tem". Deu certo: Covas venceu com quase 10 milhões de votos.

O único duelo semelhante aos promovidos nos Estados Unidos foi travado por Lula e Fernando Collor no segundo turno da eleição presidencial de 1989. Como as regras e restrições eram poucos, sobrou tempo para o confronto. Em vez de defender ideias, contudo, os candidatos optaram por ataques pessoais. Lula comparou Collor a Pinóquio. O adversário devolveu a acusação com uma agravante: "O Pinóquio pelo menos lia. Eu não sei se ele sabe ler". A tréplica de Lula: "Ele faz parte daquele grupo de políticos que age como se fosse aquela… Aquele início do Programa da Xuxa. Antes das eleições, beijinho, beijinho. Depois das eleições, tchau, tchau".
Dias antes dessa batalha feroz, Collor exibiu no horário gratuito o depoimento em que Miriam Cordeiro, ex-namorada de Lula, acusava o candidato do PT de tê-la pressionado para abortar a filha Lurian. Temeroso de que o assunto emergisse durante o debate, Lula mostrou-se apreensivo e inseguro. O mau desempenho facilitou a célebre edição do confronto divulgada pela Globo no Jornal Nacional.

De lá para cá, o excesso de medidas preventivas resultou no engessamento do debate. Orientados pelos marqueteiros, os candidatos procuram não perder pontos e parecem satisfeitos com o empate. Escolhem cuidadosamente o traje, ensaiam o sorriso, aprendem a olhar para a câmera certa, driblam os temas propostos e consomem incontáveis minutos em generalidades e miudezas. Concentrados na defesa, raramente atacam. O tempo excessivamente curto os dispensa de respostas claras. E tanto os moderadores quanto os jornalistas convidados não têm direito a réplicas.
Os telespectadores, que pareciam condenados a morrer de tédio, foram surpreendidos pelo primeiro debate do segundo turno transmitido pela Band. Pela primeira vez houve um duelo entre os candidatos de 40 perguntas feitas diretamente de um para o outro.

Se no primeiro turno os principais candidatos procuravam fugir do embate direto, no segundo turno o confronto parece inevitável. A fórmula ainda não é a ideal, mas o Brasil começa a caminhar em direção ao modelo americano.

Trata-se, sim, de uma escolha moral! Ou se deve travar o debate amoral?


via Reinaldo Azevedo | VEJA.com de Reinaldo Azevedo em 14/10/10

Olavo de Carvalho publica hoje, no Diário do Comércio, um artigo primoroso intitulado "Lógica do abortismo". Observem: não se trata de satanizar questionamentos, dúvidas etc. São legítimos. Os humanos duvidam mesmo. Isso também é da nossa natureza, felizmente. Tampouco é verdade que aqueles que se opõem à legalização pretendem levar para o banco dos réus "milhões de mulheres" - essa fantasia numérica criada pelos abortistas. Esse debate é torto. A questão é, sim, de fundo moral. Leiam.
*
O aborto só é uma questão moral porque ninguém conseguiu jamais provar, com certeza absoluta, que um feto é mera extensão do corpo da mãe ou um ser humano de pleno direito. A existência mesma da discussão interminável mostra que os argumentos de parte a parte soam inconvincentes a quem os ouve, se não também a quem os emite. Existe aí portanto uma dúvida legítima, que nenhuma resposta tem podido aplacar. Transposta ao plano das decisões práticas, essa dúvida transforma-se na escolha entre proibir ou autorizar um ato que tem cinqüenta por cento de chances de ser uma inocente operação cirúrgica como qualquer outra, ou de ser, em vez disso, um homicídio premeditado. Nessas condições, a única opção moralmente justificada é, com toda a evidência, abster-se de praticá-lo.
À luz da razão, nenhum ser humano pode arrogar-se o direito de cometer livremente um ato que ele próprio não sabe dizer, com segurança, se é ou não um homicídio. Mais ainda: entre a prudência que evita correr o risco desse homicídio e a afoiteza que se apressa em cometê-lo em nome de tais ou quais benefícios sociais hipotéticos, o ônus da prova cabe, decerto, aos defensores da segunda alternativa. Jamais tendo havido um abortista capaz de provar com razões cabais a inumanidade dos fetos, seus adversários têm todo o direito, e até o dever indeclinável, de exigir que ele se abstenha de praticar uma ação cuja inocência é matéria de incerteza até para ele próprio.
Se esse argumento é evidente por si mesmo, é também manifesto que a quase totalidade dos abortistas opinantes hoje em dia não logra perceber o seu alcance, pela simples razão de que a opção pelo aborto supõe a incapacidade - ou, em certos casos, a má vontade criminosa - de apreender a noção de "espécie". Espécie é um conjunto de traços comuns, inatos e inseparáveis, cuja presença enquadra um indivíduo, de uma vez para sempre, numa natureza que ele compartilha com outros tantos indivíduos. Pertencem à mesma espécie, eternamente, até mesmo os seus membros ainda não nascidos, inclusive os não gerados, que quando gerados e nascidos vierem a portar os mesmos traços comuns. Não é difícil compreender que os gatos do século XXIII, quando nascerem, serão gatos e não tomates.
A opção pelo abortismo exige, como condição prévia, a incapacidade ou recusa de apreender essa noção. Para o abortista, a condição de "ser humano" não é uma qualidade inata definidora dos membros da espécie, mas uma convenção que os já nascidos podem, a seu talante, aplicar ou deixar de aplicar aos que ainda não nasceram. Quem decide se o feto em gestação pertence ou não à humanidade é um consenso social, não a natureza das coisas.
O grau de confusão mental necessário para acreditar nessa idéia não é pequeno. Tanto que raramente os abortistas alegam de maneira clara e explícita essa premissa fundante dos seus argumentos. Em geral mantêm-na oculta, entre névoas (até para si próprios), porque pressentem que enunciá-la em voz alta seria desmascará-la, no ato, como presunção antropológica sem qualquer fundamento possível e, aliás, de aplicação catastrófica: se a condição de ser humano é uma convenção social, nada impede que uma convenção posterior a revogue, negando a humanidade de retardados mentais, de aleijados, de homossexuais, de negros, de judeus, de ciganos ou de quem quer que, segundo os caprichos do momento, pareça inconveniente.
Com toda a clareza que se poderia exigir, a opção pelo abortismo repousa no apelo irracional à inexistente autoridade de conferir ou negar, a quem bem se entenda, o estatuto de ser humano, de bicho, de coisa ou de pedaço de coisa.
Não espanta que pessoas capazes de tamanho barbarismo mental sejam também imunes a outras imposições da consciência moral comum, como por exemplo o dever que um político tem de prestar contas dos compromissos assumidos por ele ou por seu partido. É com insensibilidade moral verdadeiramente sociopática que o sr. Lula da Silva e sua querida Dona Dilma, após terem subscrito o programa de um partido que ama e venera o aborto ao ponto de expulsar quem se oponha a essa idéia, saem ostentando inocência de qualquer cumplicidade com a proposta abortista.
Seria tolice esperar coerência moral de indivíduos que não respeitam nem mesmo o compromisso de reconhecer que as demais pessoas humanas pertencem à mesma espécie deles por natureza e não por uma generosa - e altamente revogável — concessão da sua parte.
Também não é de espantar que, na ânsia de impor sua vontade de poder, mintam como demônios. Vejam os números de mulheres supostamente vítimas anuais do aborto ilegal, que eles alegam para enaltecer as virtudes sociais imaginárias do aborto legalizado. Eram milhões, baixaram para milhares, depois viraram algumas centenas. Agora parece que fecharam negócio em 180, quando o próprio SUS já admitiu que não passam de oito ou nove. É claro: se você não apreende ou não respeita nem mesmo a distinção entre espécies, como não seria também indiferente à exatidão das quantidades? Uma deformidade mental traz a outra embutida.
Aristóteles aconselhava evitar o debate com adversários incapazes de reconhecer ou de obedecer as regras elementares da busca da verdade. Se algum abortista desejasse a verdade, teria de reconhecer que é incapaz de provar a inumanidade dos fetos e admitir que, no fundo, eles serem humanos ou não é coisa que não interfere, no mais mínimo que seja, na sua decisão de matá-los. Mas confessar isso seria exibir um crachá de sociopata. E sociopatas, por definição e fatalidade intrínseca, vivem de parecer que não o são.

Eles pensam que os eleitores são idiotas


via Augusto Nunes | VEJA.com de Augusto Nunes em 14/10/10

Dilma Rousseff tem o direito de acreditar ou não em Deus, em Nossa Senhora, em um santo ou em todos, em Lula, no PT ou nas aparições regulares de ETs em Varginha. Pode frequentar igrejas ou não fazer ideia do que é uma missa. Está liberada para decorar a Bíblia ou não conseguir recitar a Ave Maria. E deve sentir-se à vontade tanto para defender quanto para criticar a legalização do aborto. Mas não tem o direito de mentir, sejam quais forem as condições de temperatura e pressão da campanha presidencial.
Lula pode advogar em defesa do casamento entre pessoas do mesmo sexo ou lutar para que jamais seja instituído. Tem o direito de endossar integralmente o Programa Nacional de Direitos Humanos ou opor-se a alguns tópicos. Mas não pode endossar ou repelir simultaneamente a mesma coisa. Ou acha isto ou acha aquilo. Estejam como estiverem as curvas das pesquisas eleitorais, um presidente da República tem o dever de expressar claramente o que pensa. O vídeo divulgado pelo blog do Josias de Souza reafirma que, para eleger a sucessora, Lula está enganando o país.
Nem Dilma nem Lula têm o direito de contar mentiras para ganhar a eleição. Claro que ambos apoiam sem restrições todas as propostas do PNDH. Claro que Dilma não sabe da missa nem o começo, que Lula aceita com naturalidade a união homossexual. Não há nada de errado nisso. Se fossem sinceros, estariam apenas exercendo a liberdade de crença e de opinião que a Constituição garante. Em vez disso, resolveram tratar todos os brasileiros como um bando de idiotas. Logo descobrirão que a maioria não é.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Da “herança maldita” ao suposto privatismo de José Serra : nada como uma inv...


via Blog do Bolívar Lamounier de Bolívar Lamounier em 13/10/10

Adeptos do atual governo e do PT tem propagado (e parecem acreditar) que somente medidas diretas como o bolsa família ou o reajuste salarial acima da inflação têm importância no sentido de redistribuir renda e reduzir desigualdades.
Vou deixar de lado a apropriação indébita praticada pelo governo Lula, que as assumiu como se fossem suas, quando na verdade se sabe que tais medidas tiveram início no governo Fernando Henrique.
Para quem pensa em termos puramente ideológicos – como se tudo o que ocorre no mundo coubesse na dicotomia esquerda X direita -, e a isto adiciona boa dose de desinformação sobre o que aconteceu desde a Segunda Guerra, tal idéia deve fazer sentido.
No imaginário dos militantes políticos, "esquerdistas" são de fato os que professam perseguir sobretudo o bem-estar da maioria e a igualdade social, e "direitistas" os que defendem a estabilidade .
A esquerda quer o crescimento e vê virtudes miraculosas na tributação ou na expropriação pura e simples de patrimônios privados ; a direita empenha-se em evitar a inflação e prefere redistribuir renda de maneira paulatina e por meios indiretos, como a ampliação de oportunidades através da educação.
Por último, mas não menos importante, a esquerda diviniza o Estado ; acredita que ele pode e deve ter inclusive um amplo papel empresarial ; a direita, ao contrário, pugna pela transferência da função empresarial ao mercado.
Agora vem o pulo do gato.
Ao cunhar a expressão "herança maldita" e orquestrar em torno dela uma verdadeira campanha contra o governo Fernando Henrique, Lula e o PT não agiram por ignorância.
Dizer isto seria imputar-lhes um grau extremamente elevado de desconhecimento a respeito não só da história brasileira desde os anos 60, mas até da realidade vivida do país dos anos 80 até meados dos 90.
Quem viveu aquele período como adulto tem obrigação de saber que a instabilidade inflacionária atingira níveis extremamente perigosos, desorganizando a economia e expondo o país a grave risco de convulsão social. Que a prioridade número 1 dos governos Sarney, Collor, Itamar e em grande parte do próprio governo Fernando Henrique foi a estabilização, sem a qual Lula evidentemente não teria colhido os bons frutos que logrou colher em seu mandato.
Mesmo tendo cumprido uma função sobretudo estabilizadora, o governo Fernando Henrique teve também um sentido distributivo . O próprio controle da inflação serviu para isso, num primeiro momento , mas as "bolsas" que viriam a ser reunidas no bolsa-família, o aumento real do salário, a política educacional e várias outras medidas tiveram igual finalidade.
Um governo propagar uma mensagem mentirosa obviamente não impede que ela seja assimilada como real e verdadeira por uma parte da sociedade . Pode-se em boa-fé acreditar em mensagens difundidas de má-fé.
Infelizmente, há fortes indícios de que um novo capítulo da novela da "herança maldita" está sendo ensaiado para a reta final da eleição.
Agora vamos ouvir que Fernando Henrique vendeu empresas públicas a "preço de banana" e que Serra pretende privatizar a Petrobrás, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica.
Lula, o PT e o "dilmismo" parecem entender que, se o objetivo é ganhar a eleição, há que fazê-lo a qualquer preço . Nesse diapasão, perguntas elementares ficam sem resposta.
Se as privatizações ( por exemplo da Vale e das telecomunicações) causaram ao país o dano que se propala, por que o governo atual não as reverteu, reincorporando tais empresas ao patrimônio público ?
No mesmo pacote de sandices que se empenhou em distribuir aos eleitores, o petismo incluiu a insinuação de corrupção. Insistiu o tempo todo em caracterizar as privatizações como "privatarias".
Como então explicar que o governo Lula, tendo 8 anos para tomar providências a esse respeito, não mandou fazer uma auditoria sequer ? Será que 8 anos não foram suficientes para o governo cumprir o que seria simplesmente do seu dever ?

PT confirma que Dilma Rousseff pretende estatizar a telefonia, a Vale e a Light


via Augusto Nunes | VEJA.com de Augusto Nunes em 13/10/10

Leiam o texto publicado na Folha desta quarta-feira. Comento em seguida:
No calor da disputa eleitoral, circula na internet uma entrevista em que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirma que o hoje candidato do PSDB à Presidência, José Serra, foi um dos que mais lutaram pela privatização da Vale do Rio Doce.
O vídeo reproduz trecho da entrevista de FHC ao portal da revista "Veja". Nela, ele admite que "tinha resistência psicológica" à venda da Vale, ocorrida em 1997. A entrevista foi exibida em novembro de 2009.
"O Serra foi um dos que mais lutaram a favor da privatização da Vale. Digo isso porque muita gente diz assim: 'O Serra é estati…' Mas não. Ele entendeu isso. Da Light também. O Serra".
Pinçado de um bloco de 7 minutos, o vídeo exclui argumentos em favor da venda.
FHC diz que a Vale era "uma espécie de grande repartição pública", não pagava impostos nem investia.
A assessoria do candidato afirmou, em nota, que ele "vai proteger e fortalecer" as empresas estatais. Quanto à entrevista de FHC, diz que "ele tem direito a opiniões e avaliações sobre quaisquer assuntos da vida nacional".
Imaginando que prejudica a candidatura de José Serra, o PT editou um bloco da entrevista com Fernando Henrique  Cardoso para transformar o candidato da oposição em defensor da privatização. Previsivelmente, foram amputados os trechos em que FHC justifica com argumentos irrefutáveis as mudanças implantadas em 1998. Veja o bloco na íntegra:

Os coordenadores da campanha de Dilma ainda não descobriram que as trucagens de 2006 estão cobertas de poeira. O eleitorado já sabe que o partido do mensalão faz questão de controlar as estatais para privatizá-las sem licitação em disputas restritas a amigos. Os Correios, por exemplo, são hoje explorados pelo bando de Erenice Guerra.
Atarantado com a mudança dos ventos eleitorais, o PT não acerta uma. Acaba de dar outro tiro na testa. Serra deve mostrar o vídeo integralmente, explicar que a privatização salvou a Light e a Vale da morte por inanição e acusar Dilma Rousseff de planejar em segredo a estatização das companhias telefônicas.